segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MOSAICO
Muito bem lapidado...
Polimento incomparado...
Forma perfeita...
A obra prima estava feita...
Incentivado a acreditar, gerado para confiar...
Criado para amar...
Orientado a perdoar...
Do lado esquerdo do peito...
Estava ele sem defeito...
Esperava receber em dobro aquele todo seu tesouro...
Mas a vida resolveu dizer não...
Resolveu andar na contramão...
Aquele que era inteiro partiu-se por inteiro...
De sua doce ingenuidade...
Restaram lembranças e uma saudade...
Sempre aberto e confiante...
Deram-lhe um golpe perfurante...
Acreditando sempre...
Confiando sempre...
Se entregando sempre...
Foi sendo pisoteado, aproveitado e usado por muitos seres viventes...
Então se endureceu...
E com as várias quedas, partiu-se...
Fragmentos de lembranças...
Pedacinhos de confiança...
Estilhaços de sentimentos...
Rasgos de ressentimentos...
Completamente estilhaçado...
Opaco e destruído...
Desformemente imperfeito...
Tudo estava desfeito...
Restou reajuntar...
Restou tentar colar...
Ficou meio arcaico...
Tornou-se o meu MOSAICO...

Euler Rocha

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